Myriam, é Marie antes de Maria. Este nome hebraico é o da irmã mais velha de Moisés, a profetisa que vigia o berço flutuante do seu irmão mais novo e depois conduz o cântico das mulheres após a travessia do Mar Vermelho. Séculos mais tarde, o mesmo nome, transmitido pelo grego e pelo latim, tornar-se-á Maria e irradiará por todo o Ocidente cristão. Manter a grafia Myriam é, portanto, voltar à fonte, com o seu sabor oriental e o seu 'y' elegante.
Em França, Myriam é um nome transcultural por excelência: é apreciado pelas famílias judaicas, cristãs e muçulmanas (onde se cruza com Mariam), o que dele faz uma ponte entre as tradições. Muito em voga desde os anos 1970 até aos anos 1990, mantém hoje uma imagem de doçura, de força tranquila e de enraizamento. É percebido como caloroso, materno sem ser datado, ao mesmo tempo clássico e ligeiramente exótico.
Myriam avança com uma força que não faz barulho. Da sua antepassada bíblica, a profetisa que salva o seu irmão mais novo das águas e entoa o cântico da liberdade, herda uma mistura rara: a coragem discreta e a intuição. Sente-se numa Myriam uma profundidade, uma capacidade de perceber o que os outros não dizem, aliada a uma lealdade à prova de tudo para com a sua família e os seus entes queridos. É a grande irmã simbólica, aquela que vigia, que reúne, que remenda os laços.
O seu nome, encruzilhada dos três monoteísmos, confere-lhe um temperamento de transmissora: gosta de reconciliar, de compreender as diferenças, de manter a casa aberta. Longe de ser apagada por isso, possui uma bela determinação; quando tem uma convicção, leva-a até ao fim, com uma dignidade tranquila que impõe respeito. A musicalidade do nome e a imagem da dança e do tamboril do Éxodo acrescentam-lhe uma nota sensível, quase artística: muitas Myriam têm uma relação forte com a voz, com a emoção, com a beleza das coisas simples.
Geração 'setenta-nove' obrigando, imagina-se calorosa, espontânea, fiel na amizade ao longo de décadas. A sua sensibilidade pode torná-la exigente, um bocado suscetível quando se toca nos seus valores, mas perdoa rapidamente àqueles que ama. Sob uma aparente doçura, existe uma coluna vertebral de aço e um sentido de cuidado que a tornam preciosa. Em uma palavra: uma alma profunda, amorosa e sólida, que protege os seus como Myriam vigiava o berço.
Retrato lúdico, para levar com um sorriso.
Myriam, esta « gota de mar » oriunda do Antigo Testamento, não gosta de marés calmas. No amor, é uma força telúrica, sensual e profundamente protetora. A sua sedução não é uma armadilha frágil, mas um magnetismo natural, pois é fundamentalmente « a amada »; atrai sem forçar, irradiando uma confiança que desarma. Procura uma conexão de alma, uma fusão onde a emoção é tão viva quanto o mar do qual carrega o nome.
No entanto, a sua natureza exige uma reciprocidade absoluta. O que a cansa é a mornidão, a indiferença ou a possessividade sufocante que negasse a sua liberdade interior. Precisa de um parceiro capaz de navegar consigo, não para a domar, mas para partilhar a imensidão. Myriam dá tudo, mas exige ser vista na sua potência e na sua vulnerabilidade. Se procura uma paixão superficial, fuja; se visa uma paixão enraizada, duradoura e intensa, ela é a tempestade bem-vinda que esperava.
É a forma hebraica original (Miryam) que deu origem a Maria; a primeira personagem a usá-lo é a irmã de Moisés.
O sentido é debatido: 'a amada', 'a senhora' ou 'gota do mar' segundo as interpretações do hebraico.
A 15 de agosto, dia da Assunção, pois Myriam é a forma mãe de Maria.
É o mesmo nome: Maria é simplesmente a versão grega e depois latina do hebraico Myriam.
Está presente nos três monoteísmos, o que dele faz um nome transcultural e não exclusivo de uma religião.
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