Significado: Vitória do povo.
Nicholas é um dos grandes nomes viajantes da cristandade, levado desde a Ásia Menor grega através de Bizâncio, da Rússia, dos Países Baixos, até ao mundo anglófono. A sua força provém quase inteiramente de um único homem: São Nicolau de Mira, o bispo do século IV cuja generosidade lendária — atirando ouro pela janela de uma família pobre — o tornou padroeiro das crianças e a semente do próprio Pai Natal, através do Sinterklaas neerlandês. Cinco papas e dois czares da Rússia levaram o seu nome, e ele nunca passou verdadeiramente de moda. Hoje, Nicholas soa clássico sem ser rebuscado: suficientemente digno para um conselho de administração, suficientemente caloroso para um quarto de criança. Carrega um ligeiro prestígio erudito, de outra época — pensem em Copérnico ou num cavalheiro dickensiano — enquanto o seu diminutivo diário, Nick, é tudo o que há de simpático e terreal. Este duplo registo faz todo o charme do nome próprio: uma entrada majestosa e, por detrás, um salão descontraído, tão à vontade numa catedral, num laboratório de física ou numa banda de rock.
Um Nicholas entra com uma gravidade tranquila e deixa-vos a rir — é aí todo o seu truque. Sob a superfície vigia o santo que atirava ouro pela janela de um desconhecido: a generosidade está inscrita no nome próprio, e isso vê-se numa lealdade sobre a qual os amigos contam em silêncio. Mas não é um homem de igreja empoeirado. A sua energia é transbordante e o seu humor sincero, do tipo que transforma uma reunião estagnada numa anedota que se conta durante anos. Nicholas é ambicioso sem ser implacável; quer construir algo que conte, e a sua bela independência faz com que se desvie voluntariamente dos caminhos batidos para o fazer à sua maneira — Copérnico reordenando os céus, um Nick à frente de uma banda, um Sir Nicholas salvando discretamente centenas de crianças e não dizendo nada durante cinquenta anos. Emana dele uma dignidade de outra época, herdada de séculos de bispos, papas e czares, mas nunca cai na pompa porque « Nick » está sempre lá, com as mangas enroladas, uma piada no canto da boca. A sua imaginação dá-lhe exatamente o necessário para sonhar com grandes projetos, enquanto uma estabilidade sólida os impede de voar completamente. É suficientemente diplomático para acalmar a maioria das salas, embora a sua sensibilidade, mais reservada, faça com que prefira resolver o vosso problema em vez de se sentar nas vossas emoções — a bondade prática em vez do consolo. Não procura os holofotes; honestamente, preferiria que as suas boas ações passassem pela janela, sem testemunhas. A impressão geral é a de um cavalheiro clássico com um sorriso travesso: fiável como um velho carvalho, festivo como dezembro, e secretamente a pessoa mais generosa que conhecem. Dêem-lhe uma causa e um prazo e ele entregará — provavelmente um dia antes, embrulhado, com um piscadela de olho.
Retrato lúdico, para levar com um sorriso.
Nicholas carrega em si uma dinâmica de conquista tenaz, a do « povo » que ele procura unir, domar com uma elegância brutal. A sua abordagem do amor não é a da suavidade morna, mas de uma vitória sensual, onde cada carícia é uma manobra estratégica rumo à união total. Seduz por uma presença magnética, certa da sua legitimidade carnal, atraindo o outro como um íman poderoso. O que o apaixona é a intensidade da conexão, essa alquimia onde as almas se misturam sem concessões. Em contrapartida, cansa-se rapidamente da indecisão e da fragilidade passageira. A frieza ou a insignificância são os seus inimigos mortais; precisa de uma parceira que responda ao seu fogo com a mesma chama ardente. Para Nicholas, amar é um ato de poder e partilha, uma vitória coletiva contra a solidão, onde o abandono mútuo se torna o mais belo dos triunfos. Não procura possuir, mas unir, transformando a intimidade num santuário sagrado e ardente.
Vem do grego Nikolaos, « vitória do povo » — de nikê (vitória) e laos (povo).
São Nicolau de Mira, bispo do século IV famoso pelos seus presentes oferecidos em segredo; é a origem do Pai Natal e o padroeiro das crianças e dos marinheiros.
Em 6 de dezembro, dia em que muitos países europeus ainda trocam presentes na « São Nicolau ».
Nicholas é a ortografia inglesa habitual; Nicolas (com um único « l ») é a forma francesa. Ambos vêm da mesma raiz grega.
Sim — figura sem interrupção no top 100 dos nomes próprios masculinos nos Estados Unidos e no Reino Unido há décadas, um verdadeiro clássico em vez de uma moda passageira.
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